TICs e EDUCAÇÃO
Reconstruo aqui sumariamente alguns cenários da relação entre Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC). Com os avanços da web 2.0 e congêneres, os ambientes virtuais de aprendizagem se enriqueceram notavelmente através de programas que facultam autoria (em especial blogs e wikis) (Mika, 2007. Solomon/Schrum, 2007. Stauffer, 2008. Vossen/Hagemann, 2007), aproximando-se de um dos desideratos mais marcantes de processos educacionais: construção de autonomia/autoria (Maturana, 2001. Freire, 1997).
I. O QUE A EDUCAÇÃO ESPERA DAS TICs
Deixando de lado qualquer panacéia, educação pode esperar inúmeras contribuições importantes por parte das TICs, à medida que apresenta precisamente este desafio: aprimorar processos de formação e aprendizagem. Tal expectativa não é mecânica ou automática, porque, como toda dinâmica social e natural, também tecnológica, é ambígua: pode servir para múltiplos fins, igualmente contraditórios/deletérios. Por processos formativos entendemos ambientes nos quais se construam potencialidades de autonomia/autoria, conjugando qualidade formal e política
II. O QUE AS TICs PODERIAM OFERECER
Sumariando preliminarmente tais idéias, podemos aventar que as TICs poderiam oferecer aos educadores horizontes tais como:
a) novos modos de alfabetizar, bem mais envolventes, situados, atualizados, capazes de abrir para as crianças as habilidades do século XXI;
b) novas formas de autoria individual e coletiva, mais flexíveis, transparentes, participativas e, nem por isso, banais; ao contrário;
c) impulsos pertinentes em favor da autoridade do argumento, contra o argumento de autoridade, já que, na internet, não vinga qualquer autoridade; para merecer a atenção é fundamental apresentar algo com algum mérito;
d) promoção de esferas públicas, ao estilo de Habermas, nas quais se pode desenvolver um tipo mais cosmopolita de cidadania, interativo e questionador, sem tutores e donos da verdade;
e) novas oportunidades de pesquisa, em especial na internet, desde que se consiga transformar este mundo infinito de informação em material de pesquisa, não de cópia;
f) maneiras diferenciadas de tratar o aluno, não como alguém que dispensa o professor, mas como alguém que pode construir a autonomia e autoria com apoio tecnológico e orientação maiêutica;
g) modos mais situados de aprender, tipicamente reconstrutivos e autopoiéticos, além de muito envolventes;
h) perfil diferenciado do professor, não mais como instrutor, mas como “coach” socrático.
BIBLIOGRAFIA
BARD, A. & SÖDERQVIST, J. 2002. Netocracy - The new power elite and life after capitalism. Reuters, London.
BENKLER, Y. 2006. The Wealth of Networks - How social production transforms markets and freedom. Yale Univ. Press, New York.
Oi Clovis, teu blog tá legal. Já criei o meu mais ainda não postei nada.
ResponderExcluirTchau.